Você recebeu uma notificação (ADA) por acessibilidade do site. O que fazer nas primeiras 72 horas.
Milhares dessas cartas saem todo ano, a maioria para negócios pequenos. Quase todas terminam em acordo, e o valor do acordo depende muito do que você fizer nesta semana. Isto é informação técnica e de processo, não aconselhamento jurídico; você ainda precisa de um advogado.
· Rampa
Informação técnica e de processo, não aconselhamento jurídico. Fale com um advogado antes de responder à carta.
Primeiro, três fatos
- 1A carta é um negócio, não uma sentença. Os mesmos escritórios mandam centenas; a maioria fecha em alguns milhares de dólares mais as correções.
- 2Os tribunais olham duas coisas: se o site falha nas diretrizes (WCAG, o padrão internacional de acessibilidade web) e se o dono está fazendo algo a respeito. A segunda é onde você tem espaço.
- 3Nada que você faça hoje faz a carta sumir. O que você faz hoje decide se paga 5.000 ou 25.000 dólares, e se recebe outra carta no ano que vem.
Preservar e medir
- Não responda ainda e não ligue para o número da carta. Tudo o que você disser pode ir para o processo.
- Não apague nem mude páginas. Mexer em evidência é pior que as falhas.
- Guarde a carta, o envelope e a data em que recebeu. A maioria dá um prazo; anote.
- Varra o seu site hoje, para ter um registro datado de como estava quando a carta chegou. Uma varredura grátis leva um minuto e dá a lista com o código corrigido.
- Não instale um widget de acessibilidade. Mais de 20% dos processos de 2025 miraram sites que tinham um; algumas cartas citam o próprio widget.
Conseguir um plano com datas
- Mande o relatório técnico para quem faz o seu site. Peça duas datas: quando as falhas críticas estarão corrigidas e quando o resto estará.
- Corrija primeiro o que não precisa de código: descrições de imagens, títulos de página, texto de links, rótulos de formulário. Costuma ser metade da lista e uma tarde.
- Publique uma declaração de acessibilidade: uma página pública que diz o que você está fazendo e dá um canal para reportar problemas. Tribunais já a trataram como prova de boa-fé.
- Ligue o monitoramento, para que cada correção fique registrada com data e nada volte sem você saber.
Entregar ao advogado uma pasta, não uma preocupação
- Procure um advogado que atue em casos ADA de sites; a primeira conversa costuma ser grátis e eles já viram essa carta exata.
- Entregue: a carta, a varredura datada, o plano com datas, o link da declaração e o registro de diligência. Com essa pasta, eles negociam com força.
- Deixe o advogado responder. O que costuma baixar o valor: correção já em andamento, registro datado e compromisso de monitoramento.
O que a carta costuma pedir, e o que responde
- "Seu site não cumpre as WCAG 2.1 AA." Resposta: uma varredura datada mostrando cada falha, e o código corrigido de cada uma.
- "Apresente um plano de correção." Resposta: o plano de ação com datas, na ordem do que mais prejudica os usuários.
- "Comprometa-se com conformidade contínua." Resposta: monitoramento com declaração pública e um selo que mostra a nota ao vivo.
- "Pague indenização e honorários." Resposta: essa parte é do advogado; a sua pasta é o que deixa o número menor.
O que não fazer
- Ignorar. Os prazos passam e a ação é protocolada; aí custa mais.
- Instalar um widget e responder que o site agora está conforme. Muitos processos citam o widget.
- Prometer datas que não consegue cumprir. Uma data perdida por escrito é pior que uma mais longa e honesta.
- Tirar o site do ar ou apagar as páginas citadas na carta.
- Responder sozinho, com raiva ou com pressa.
O kit das 72 horas
Tudo acima, produzido pela Rampa em cerca de uma hora, a partir de uma varredura grátis.
- Varredura datada
- Cada falha em até 100 páginas, desktop e celular, com o critério WCAG e o código corrigido, testado.
- Plano de ação
- As cinco correções que mais sobem a nota, em ordem, com o que já está escrito para o desenvolvedor.
- Declaração pública e selo
- Uma página que diz o que você está fazendo, atualizada após cada varredura, mais um selo para o rodapé.
- Registro de diligência
- Um registro imprimível para o advogado: datas, varreduras, o que foi corrigido e quando, o que falta.
Perguntas que as pessoas fazem
- Tenho que pagar o que a carta pede?
- Isso é uma pergunta jurídica; pergunte a um advogado. O que vale em geral: o valor é negociável, e um registro datado de correções em andamento é o que os advogados usam para baixá-lo.
- Corrigir o site faz a carta sumir?
- Normalmente não por si só, mas muda a conversa de "vocês ignoram a lei" para "estamos corrigindo, aqui estão as datas". Essa é a diferença entre as duas pontas da faixa de acordo.
- Um widget de acessibilidade me protege?
- Não. Ele muda o que o visitante vê no navegador; o código continua igual, e é o código que a queixa cita. Vários processos em 2024 e 2025 citaram o widget como parte do problema.
- Minha loja roda em Shopify ou WordPress. Isso muda algo?
- A lei, não. Muda quanto você consegue corrigir sozinho: nessas plataformas, a maioria das falhas comuns é configuração no editor, não código.
- Quanto tempo leva corrigir um site típico?
- A metade sem código: uma tarde. A metade com código: um ou dois dias de um desenvolvedor com o código corrigido em mãos. Manter assim é para isso que serve o monitoramento.